Sexta-feira, 30 de Maio de 2008
Ambiciono tanto, mas tenho tão pouco. Quero o infinito mas apenas por mim passa o finito e o incompleto. Desejo a plenitude, a felicidade, o calor de uns braços que me façam estremecer, o sorrio de uma criança que me faça empalidecer. Quero tanto, mas tão pouco tenho. É um pensamento bastante linear, porém estupidamente complexo. Um dia sentei-me, um dia chorei, um dia enfrentei tudo aquilo que desejo e tudo aquilo que por mais que sonhe não será meu, um dia apenas deixei-me estar. O deixar estar é o mal do humano, é o mal de quem consegue pensar no passado e inferir sobre o futuro, é o mal de qualquer ser que deseje a felicidade. A felicidade não é um sentimento comum, banal, mas sim algo escasso e reservado a alguns ou então a nenhuns. Não adianta sonhar, não adianta procurar a felicidade. Ou ela chega a nós, por livre e espontânea vontade ou então apenas não estamos escritos no seu pequeno caderno branco. Existem milhares de pessoas que mudam de sitio, que mudam de hábitos, que mudam a própria maneira de ser, ambicionando, quiçá sonhando, com uma felicidade eterna e doce, com uma felicidade cuja simplicidade apenas estará resguardada a quem lhe saiba dar valor. Para quê? Para quê desejar algo que toda a humanidade sabe ser impossível. Não existe felicidade, não existe plenitude completa, não existe nada que seja infinito e simples em simultâneo. Apenas existe o efémero, o seleccionado, o complexo. Se o homem é finito e ambicioso então qual seria a lógica de lhe conceder algo eterno e esclarecido? Não vale a pena lutar por aquilo que apenas existe em sonhos. Seria tudo mais fácil se existissem listas, nas quais quando atingíssemos a maioridade visemos a presença ou ausência do nosso nome na coluna da felicidade, ou apenas na coluna da estupidez eterna. Seria tudo mais fácil se não pensássemos, se não possuíssemos a consciência da nossa própria incapacidade em atingir o que queremos. Mas as coisas não são assim, não são fáceis, se assim fossem não teriam piada, certo? Pelo menos é no que gosto de acreditar…


publicado por Janinha às 00:36
Sexta-feira, 16 de Maio de 2008
Sinto-me triste, infinitamente só. Nada do que faça, pense ou sonhe possui qualquer sentido. Apenas a enorme frustração que sinto no meu interior. Uma tristeza, uma qualquer coisa que me consome por dentro e se alastra como uma doença infecciosa. Talvez a eterna tristeza seja isso mesmo, uma condição infecciosa de uma disposição incurável. Talvez a solidão apenas se reflicta como uma repercussão de um imenso vazio que preenche involuntariamente a alma e a deixa, assim… desfeita. Como se recupera de uma condição vazia? De uma disposição inaparente, de uma condição que apenas existe no nosso âmago, no nosso cerne? Não sei, mas é tão entristecedora esta condição. Todas as minhas acções são impotentes sobre esta. Deixa de corresponder a um problema para passar a fazer parte de mim. A tristeza é uma porção minha, uma parte que me pertence desde de cedo. Queria chorar nos braços de alguém, mas não sou capaz. Queria gritar, mas tal não me é permitido. Queria ser feliz, mas isso sim é impossível. O que hei-de fazer? Chorar na solidão, olhar para o rio enquanto enumero as atitudes que mais me ridicularizaram durante toda a vida? Não o vou fazer. De nada valeria. O chorar, o espernear, o simples grito é apenas um meio deprimente para se evidenciar a nossa própria impotência face ao real, face a tudo o que nos apresenta como um subtil traçar de destinos. Destinos, curioso esta escolha de palavras. È muito mais fácil quando se culpabiliza algo superior pelo nosso próprio fracasso. O destino é apenas uma escapatória para a nossa própria cobardia em admitir que somos inúteis e que nada podemos fazer para o alterar. Gostava de pensar de forma diferente, mas como? Toda a capacidade que tinha para sonhar, perdi-a. Todo a esperança em ser algo importante para alguém ou mesmo para mim própria desvaneceu-se. Sou apenas uma rapariga ridícula. Uma rapariga que de tão idiota, se acha no direito de aclamar por certos sentimentos, que não lhe estão de todo reservados...


publicado por Janinha às 23:27
Sexta-feira, 16 de Maio de 2008
Estou farta de me sentir ridícula, estou farta de ser o que represento ser, estou farta desta impotência que me deixa triste e amarga no meu âmago. Estou farta de sonhar, estou farta de ambicionar, estou farta desta busca deprimente por objectivos. Objectivos inventados, objectivos recriados, objectivos tolos. Para quê planear? Para quê pensar que no futuro hei-de fazer cozido, frito ou assado? Todos nós planeamos, todos nós desperdiçamos tempo em diversas formas de atingir um futuro grandioso. Para quê? Quero uma resposta, quero uma explicação. Para quê? Quando olhamos em redor já nada do que anteriormente ambicionávamos faz sentido, não compreendemos ninguém e não entendemos nada. Não vale a pena pensarmos porquê nós, ou então porquê agora, não vale a pena sequer olharmos em redor e tentarmos esclarecer o óbvio da situação. Somos ridículos, nada do que sonhamos ou do que tencionamos ter está nas nossas mãos, nada do que choramos por amor ou por amizade é eternamente nosso. Nada…nada…estamos e sempre estaremos completamente sós. A verdade é amarga, a verdade não deveria ser ouvida, a verdade não deveria sequer existir. Amizade? Existe? Claro que sim, pelo menos até essa pessoa fazer parte das nossas miseráveis vidinhas, ou então até essa pessoa não sentir a necessidade de buscar algo novo, algo fresco, algo diferente. Sou uma pessoa sozinha? Sem dúvida. Gosto de ser sozinha? Não. Mas não estamos nós eternamente sós? Estamos. A diferença é que alguns conhecem as suas condições de eremitas solitários enquanto que outros desconhecem a sua triste essência e a sua deprimente existência. Queria tanto sonhar…reconquistar essa capacidade, nem que fosse para me iludir…


publicado por Janinha às 23:25
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