Quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

De uma auréola de fogo se trata.

De um jogo ardente se refere.

De um qualquer fetiche pirómano e doentio se baseia.

Não sei de onde vem este fogo.

Não sei como vim parar a este círculo ardente, de como estou enclausurada entre as labaredas sufocantes deste incêndio.

Incêndio inodoro, incêndio incolor.

Incêndio todo ele total e absolutamente doloroso.

Como é que algo que não se vê queima?

Como é que algo tão fascinante se torna numa masmorra de nós mesmos?

Como é que uma dor tão profunda pode provir de uma corrente tão ténue de águas límpidas?

Águas que não molham, águas secas pelo incêndio interior.

Águas que parecem águas, mas que não são águas.

Correntes de lava que de água se formam e em fogo terminam.

Lava, magma, incêndio, fogo.

Água, correntes, molhada, seca.

Antagonismo, metáfora, analogia.

Medo, receio, dúvida.

Tristeza, magia, sonho.

E assim se volta ao circuito de água e fogo.

Á queimada interior, ás correntes de água límpida.

Ao enclausuramento das almas, ao apodrecimento do que somos.

 



publicado por Janinha às 12:07
Sexta-feira, 02 de Outubro de 2009

Sentada aqui, revejo-me.

Não sei o que pensar, sinceramente nem sei o que escrever.

Só sei que esta urgência em transpor uma qualquer coisa é superior a tudo mais.

Só sei que esta vontade em sentir, em escrever me consome.

Nem sempre.

De tempos em tempos, apenas.

Caminho por entre os meus pensamentos.

Como sempre escrevo o que sinto e deixo de sentir o que escrevo, passo a assumir aquilo que realmente sou, uma página em branco.

Uma tábua entre inúmeras outras talhadas de forma aleatória.

Tábuas essas adornadas de particularidades interessantes, outras nem tanto.

Entre tábuas e tábuas monótonas, encontra-se ocasionalmente aquela tábua.

A tábua imperfeita.

Não apenas imperfeita, mas sim a maravilhosamente imperfeita.

Aquela cujos adornos são indispensáveis, aquela cuja beleza se guarda nos defeitos e nas qualidades.

E paro a pensar no fenómeno.

Interessante, afinal de contas trata-se apenas de mais uma tábua, porquê a inesperada maravilha?

Tantas perguntas, tantos pensamentos…e tão poucas respostas.

Penso que a amizade seja isso mesmo, um qualquer laço que se tece perante a novilhada de uma vida.

Amizades eternas.

Acredito que possam existir amizades duradouras, mas serão inevitavelmente casos excepcionais.

Acredito em momentos, alturas de amizades incríveis.

Acredito que uma amizade tenha durabilidade de meses e anos.

Durante toda a nossa vida poderemos ou não ter muitos amigos, mas, no fim desta, os amigos serão outros e não aqueles com que iniciamos o nosso percurso.

Claro está, existem excepções.

Sejam elas bem vindas, pois as particularidades são sempre agradáveis de se registarem.

E fico assim, a pensar mais um pouco…interessante hein?!

 



publicado por Janinha às 19:20
mais sobre mim
Outubro 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
30
31


pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
blogs SAPO