Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010

Procurei-te no jardim

Entre as flores, as árvores e o sol

Sonhei e senti

Senti e sonhei sem fim

 

Interroguei-me se existirias

Se não serias mais que mentira

Paisagem mística, miragem lírica

Poção venenosa calmamente sorvida

 

Aguardei-te e sonhei

Sonhei e sonhei

Nada mais contenta a alma

Senão tu, cruel e rude calma

 

 

Sem ti, novamente só

Existirás? Serás tu...

Apenas sentimento que o pudor não calou?

 

Ah! E és isso, a doce procura que se findou



publicado por Janinha às 19:57
Domingo, 19 de Setembro de 2010

                Acordo.

                Mais um dia decorre.

                Quem sabe, mais uma semana virá.

           

                Levanto-me entre instantes de fugaz lucidez, albergo em mim uma noção gélida de começo de dia. Vejo em todas as formas indistintas do raiar do dia a amargura das noites mal dormidas, dos dias perpétuos que em breve se figuram nas mentes dos doentes da sociedade. Doentes tolos, doentes sãos, doentes que não são doentes, doentes de falsidade, doentes de hipocrisia. Doentes tolos, doentes sãos, doentes apenas doentes. Emergem assim de entre as sombras nocturnas, das sombras negras e profundas de uma vida desenhada com o passar das noites. Emergem doentes numa sociedade onde a felicidade encontra-se algures na loucura imensa de uma hipocrisia vivida em paralelo com a mentira de se viver uma vida. Doentes porque não entendem a felicidade do outro, doentes porque escolhem ser doentes. Escavando a terra dos seus sentidos, das suas frágeis memórias e sonhos tornados em falsas esperanças, erguem-se como cadáveres podres e fétidos em busca de uma, de só mais uma refeição. Também eu me ergo entre tamanhas grosserias de espirito, também eu me ergo entrelaçada nos finos arames cortantes que se teimam a representar a imutabilidade adquirida por uma existência tão grandemente demente e sólida. Ergo-me como se carregasse o fardo de mil doenças no dorso, como se carregasse o fardo de mil injustiças, de mil crueldades que a mim pouco ou nada me dizem. Disfarço interesse, disfarço motivação, disfarço tudo para que a vida, para que aquela, apenas aquela mais uma refeição me seja servida. Disfarço compreender sentimentos, os quais não sinto, disfarço compreender irreverências de espirito, irreverências diversas, irreverências que me são indiferentes. Disfarço de tudo um pouco, para quase de imediato não disfarçar mais que nada.



publicado por Janinha às 02:01
Domingo, 05 de Setembro de 2010

 

Confusão, loucura, prazer

Se fosse a amargura

A  prepétua disfunção do ser

E não coisa lamacenta que perdura

 

Se fosse a amargura

Parte sã de uma existência

De um braço, perna, cintura

E não parca e gasta demência

 

Se fosse a amargura

Mais que fétida e podre fusão

De travo amargo, doce, eterno

Entre grão, confusão e paixão

 

Se não fosses tu vã confusão

Ingrediente solitário da fusão

Se não fosses tu vã confusão

Não reconheceria o traço crú da paixão



publicado por Janinha às 15:53
Quarta-feira, 01 de Setembro de 2010

 

Ouço-te: chamas-me

Grito-te: ignoras-me

Calas-te: evitas-me

Ris-te: morreste-me

 

De alma desnuda e dilacerada

Aclamo aos céus pela tua vinda

 

Ergo a arma com que te golpeei

 

Giro morta, fria e finda



publicado por Janinha às 20:09
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