Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011

Queria ser tão maior…

Maior que o mar que cobre a Terra

Maior que a mudez que me cala e encerra

Nesta minha prisão de ser eu coisa menor

 

Não mais seria menor

Seria não a terra que se deixa cobrir

Mas esse mar que corre a servir

Não propósitos de um outrem agastado

Mas de um ninguém de alma abastado

 

Se maior pudesse ser…

Seria tão grande quanto pudesse caber

Neste meu fugaz entender

De que é de grandeza feliz o meu ser



publicado por Janinha às 00:53
Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2011

 

É demasiado forte esta certeza

De não ser eu… ser de teu agrado

E de não pertencer a essa tua avareza

Que dita quem sou apesar de assim amado

 

Ver-me-ás como ambicionas ver

Julgarás sempre que sou parte incompleta

De uma imagem a que devo corresponder

Pessoa e perfeição de um só ser

 

Arrogante, cruel e maledicente

Com a estima e o coração desfeito

Coso os retalhos do meu pior defeito

E com ele sufoco-me... morrendo lentamente



publicado por Janinha às 15:56
Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011

 

 

         Muda de carruagem a cada duas estações. Não tem relógio, há anos que não vê as horas, não precisa, o tempo para ele nunca se demonstrou como um impeditivo de força maior.

         Arrasta-se por dentro da multidão, deambula taciturnamente por entre os diversos perfumes que caracterizam o começo de um novo dia. Serpenteia-se pelos espaços vazios rindo e lendo os rostos, instigando essa raiva muda e feroz típica da pessoa madrugadora.

         Muitos se queixam da indiferença das multidões face às mais ultrajantes condições de necrose humana, mas não ele, cada fibra do seu desengonçado corpo transpira arrogância, elegância e despreendimento. Saber-se mais um, igualando-se de todas as formas às restantes centenas de civis não o incomoda, todo ele se comporta com naturalidade e dignidade, nenhum traço de comiseração grita por vitimização.

       Da mesma forma que aparece, desaparece por entre a azáfama dessa gente cheirosa esquecida, esquecendo-se ele próprio de que não é mais que matéria transparente e solúvel, um perpétuo e mal cheiroso incómodo diurno.

       Estava frio e chuva ou chuva e frio quando dobrou a sua caixa de cartão. Deixou há muito de conseguir distinguir entre esses dois fenómenos climatéricos, não fosse um deles, certo dia, não levar inevitavelmente ao outro. Cuidadosamente dobra em quatro a sua réstia de dignidade humana e guarda-a onde a igualdade tipicamente se guarda, por debaixo do caixote de lixo, bem juntinho da esperança de uma vida melhor. Olha demoradamente para as seus pertences materiais, demora-se no adeus e reflecte na possibilidade de roubo, como se tudo o que tivesse não passasse de merda comparativamente com tudo o que poderia ter tido. Mas a merda é dele, afirma-o com o olhar, enquanto estica e cobre a bainha das calças esfarrapadas com a parte de cima das meias. Talvez se esteja a perder no cruel sonho de que hoje, apenas hoje, as sandálias cedam o seu lugar a um par de galochas competentes e que talvez ou meio talvez, os pés não se transformem naquela papa gélida de lama e líquido fétido que escorre e inunda quem perto do lixo ajeita as peúgas. Repentinamente, como se todos os anteriores pensamentos se esbatessem num piscar de olhos, fixa calmamente o nascer do dia, encostando as mãos à barba e sentindo a erosão sofrida pela passagem de mais uma noite fria. Encarando-se as inúmeras rugas que se lhe figuram em torno dos olhos, depreende-se que também ele sentiu o frio medonho de mais uma noite ao relento. Noites essas insuportáveis para tantos comuns mortais, mas não para ele, noites semelhantes alimentam o seu olhar, presenteiam a sua mente com uma nova mercadoria de vivências atrozes e singulares. Tudo o que agora se vê no seu rosto são dois buracos negros substituindo a antiga visão, duas dimensões incompreensíveis que tudo sugam e que nada desejam.

    A fome, essa, é cada vez mais privilégio do seu corpo mundano do que propriamente uma necessidade imperativa. Mas vai comendo consoante as oportunidades, consertando os inúmeros buracos no estômago com escassos restos de comida que sequestra pelo caminho. Não inveja, aliás nunca invejou os inúmeros banquetes que tão regularmente presencia aquando das suas passagens pelo Rossio. A comida é regozijo de gente fraca, de gente que ambiciona viver mais um dia desconhecendo a verdadeira essência da oportunidade perdida que já lá vai. Se soubéssemos o que se perde num só dia, não desejaríamos comer novamente, porém é certo e sabido que o segredo reside sempre na ignorância dos factos. E assim se deixa a detestar os estrangeiros, enquanto estes chafurdam nos seus pratos fartos em comida e gordura. Nunca gostou de estrangeiros, explica-nos o seu escarro lançado contra as mesas que compõem a esplanada. Quando passa por eles esperneia energicamente e grita bem alto os seus perjúrios num inglês impecável. Mentira? Puramente digo a verdade. Pisca consecutivamente os olhos pestanudos e estremece muito o lábio superior, manifestando eloquentemente o domínio dessa língua universal, visto que sabe que actualmente não existe O Portugal mas sim A União Europeia, logo não existe O português mas sim O inglês. Ele que não passa de um vigilante à sua própria merda entende o poder da dialéctica internacionalizada, por isso, quanto mais não entenderão esses mesmos escórias que compõem o resto do mundo, questiona-se entre ranho e expectoração pendente. Gesticula os dedos segundo uma ordem musical e entre grunhidos e mais cuspidelas queda-se na comparação catársica entre a nossa merda e a merda que é deles. Na rude compreensão de que não é da merda vizinha que gostamos mais, mas sim dessa certeza empírica que prediz que a nossa rica merdinha é fatidicamente pior que as restantes, mesmo que as ditas restantes sejam purulentas, contagiosas e líquidas. Raios partam esta nossa merda que não sai do sapato!

        Reaparece nos entretantos, percorre as vastas carruagens que compõem o metro enquanto escarnece da imensa multidão, pessoa por pessoa, antecipando movimentos, gostos, texturas e provocando também ele pequenas convulsões em civis circundantes, civis esses que se afastam procurando ocupar os anteriores espaços inexistentes. Pára metodicamente no mesmo sítio de sempre e recomeça o seu dia-a-dia, como todas as outras pessoas.

 

No final das contas a verdadeira questão que se coloca é: O porquê do acordeão ao colo?



publicado por Janinha às 21:44
Terça-feira, 08 de Fevereiro de 2011

 

             Com os grandes e brilhantes olhos salpicados de água salgada e areia,  contemplando o mar que desde de cedo lhe copiava a cor dos seus próprios olhos e memorizando o forte cheiro da maresia, ria descontraidamente uma criança, enquanto o pai a  fazia deslizar pela mais selvagem e incompreensível onda de felicidade. Com os olhos azuis muito vívidos e esbugalhados, gesticulava  efusivamente a menina enquanto o pai  de sorriso aberto e afável se esforçava carinhosamente por mantê-la sã e salva nos seus grandes e protectores braços. Com um vestido ás flores, em que se distinguiam rosas, tulipas, malmequeres e orquídeas e com uns sapatinhos castanhos se encontrava uma outra criança, à escuta, calmamente embrulhada nos seus inúmeros pensamentos. Pensamentos inúteis disseram-lhe tão regularmente os pais, pensamentos estranhos e sujeitos a análise psiquiatra caso assim quisesse continuar. A menina das flores não se responsabilizava por ter estes pensamentos tão pouco comuns, nem pela ténue possibilidade em visitar um psiquiatra, profissionais com nomes proféticos como estes, deverão realmente saber como curar uma menina com a arte do pensar recorrente. Visto não se sentir minimamente  compreendida pelos frios progenitores e mesmo assim procurar desesperadamente o seu agrado, pôs de lado todos os pensamentos, ou mais honestamente, procurou simplesmente disfarçar as feições tradutoras do assustador acto de pensar, deixando-se apática quando a situação assim o exigisse. Assim sim, conseguiu a felicidade de todos, exceptuando a sua, mas como sempre adivinhou, a sua pouco ou nada importava. Mas nesse dia, no dia em que via um pai e uma filha, ambos repletos da mais pura e invejável felicidade, não conseguiu disfarçar e toda a sua expressão traduzia pensamento, loucura, insanidade, incompreensão. Então é assim que um pai trata uma filha? É assim que se ri e que se vive a espontaneidade do momento? Curiosa e simultaneamente assustada pelo próprio entendimento de uma realidade completamente distinta da sua até então, aproximou-se cautelosamente e observou contemplativamente a arte do afecto. Deixou-se assim, perplexa e muda, confusa e desejosa de atenção. Correu rápido, correu até deixar de sentir as pernas como parte integrante da sua fisionomia, combatendo o vento, afastando os longos cabelos dos olhos, correu e correu. Subiu ruas, ruelas e atravessou estradas. Encontrando o pai sentado no sofá a contemplar emotivamente um reality show de meninos prodígio, soube desde logo de que também ele a amava e pela primeira vez a menina das flores sentiu a mesma onda de felicidade incauta e contagiosa de que sofriam pai e filha outrora invejados na zona das praias. Ergueu muito alto os braços e correu, recorrendo ao seu último e derradeiro esforço físico, saltou e abraçou-se com toda a réstia das suas forças a esse cadáver seco a que chamava de pai. O pai com vigorosa pancada de costas impede-a de saltar mais alto, mais profundamente no seu abraço e sem mais forças a menina das flores deita-se plácida e serena no chão ouvindo o pai cuspir a própria raiva: “Porque não és tu normal? Especial como estas crianças? És uma atrasada imprestável, sacana!” 

Não pai, somos ambos sacanas imprestáveis, tu e eu, sangue do mesmo sangue.



publicado por Janinha às 19:24
Sexta-feira, 04 de Fevereiro de 2011

               

Não desistas de mim

 

                Peço-te demoradamente que não desistas de mim, por mais complicado e incoerente que te soe este pedido, não desistas de mim. Não desistas da certeza de que em mim existe algo mais que confusão, amargura e pesar. Pesar de uma vida de desistências constantes e seculares, pesar de um momento que se aguarda e que se teima a pertencer a esse futuro ditador de vontades. Acredita que chegarei onde a visão nítida cede o lugar à visão turva e onde os polegares substituem as formas vivas das figuras que pertencem bem lá, para lá do futuro. Acredita que existe vitória em mim, não desistas de mim. Acredita na alegria dos passos que dou em direcção a ti, acredita no temor deste passado que se me persegue mais que a ideia de um futuro inacessível. Passado repleto de acontecimentos felizes e  fatalmente lançado nas chamas da incontornável sede de esperança. Esperança perdida nas pertenças loucas de uma respiração contínua, esperança dilacerada pela própria noção de futuro. Deixa-me desistir de ti, deixa-me correr na direcção do fogo e da água, deixa-me pertencer a esta redoma que por fim  nos enclausura certos da nosso livre arbítrio. Chega-te a mim e deixa-te permanecer assim imóvel, um eterno lamento adormecido. És a figura morta e moribunda de uma paixão que em si chamou a dor louca de uma ferida aberta e ulcerada, és figura mitológica que desiste de mim consecutivamente. Não desistas de mim, por mais que o velho to diga, não desistas de mim por mais que a velha to diga e não desistas de mim por mais que eu to diga. Deixa-te permanecer aí, diante do pesar, diante da força dos enfermos e seguro junto à doce loucura que me resguarda da sanidade. Não desistas de mim.



publicado por Janinha às 15:50
Quinta-feira, 03 de Fevereiro de 2011

        Um jardim fustigado pelo tempo, quebrado pelos incontáveis momentos de um tempo que se quer ver passado. Um jardim luxurioso, albergando em si todos os selos de uma viagem imaginada e curiosamente descrita pelos mais inconfundíveis seres rastejantes desse mundo que é deles. Um jardim longínquo e desacreditado, um jardim de  contornos delicados e belíssimos, um jardim fatalmente destinado aos olhos das menos afortunadas ratazanas. De roseiras bravas de meio metro, se vê este jardim circundado. Com os seus espinhos proeminentes e suas pétalas macias, se deixa assim o jardim a quedar-se no abismo do antagonismo natural das coisas. É fácil ser-se belo quando é esse o destino, e mais fácil é ser-se belo quando se espera apenas fealdade de quem se nos desconhece. Com o jardim assim se passou, tudo nele era uma mistura de particularidades grosseiras, disformes e translúcidas. Onde se lhe faltava a cor, se lhe ganhava o brilho, onde se lhe faltava a beleza, se lhe ganhava a originalidade e onde se lhe faltava a ordem, se lhe ganhava a desordem. Tudo em si possuía a beleza do destino e a amargura do despeito daqueles que nele só vêem o que se não quer ver. Das flores, as abelhas tiram o pólen, das sementes tiram os pássaros os ventres da miséria e da terra tira a chuva o seu intento. As ervas, essas sim, tantas e tão belas. Rasteiras, luzidias, amarelecidas pela falta de adoração, se vêem estas sucumbidas a uma maleita de escárnio e comentários afins. Com raízes que derrubam árvores, com raízes que contornam quilómetros de tristeza agastada, com indubitável beleza também as ervas daninhas se encontram no mar de tamanha controvérsia visual. Ervas grandes, pequenas e intermédias, ervas mortas, gastas e jovens. Ervas e mais ervas enaltecendo a beleza das inconfundíveis flores que se teimam a derrubar a beleza inerente à desordem natural das coisas. Flores roxas, rosas, amarelas e vermelhas, flores belas, menos belas e mais belas, flores singulares, flores comuns. Ervas daninhas sois vós a beleza das flores e a arrogância escondida do entendimento do teu salvo conduto. Lá ao fundo distingo a vinda dos teus tão incrédulos amigos. Vêm rápido, vêm correndo e tacteando o chão de musgo que se constrói sobre ti, vasto jardim. Musgo e musgo, magia e musgo, musgo e magia. E és tu o toque final musgo, a incoerência irritante que faz de ti jardim essa beleza feia. És o acolchoado desespero de uma beleza sem fim, de um jardim que de tão feio se tornou belo. E continuam a chegar os teus amigos, rápidos, determinados, afáveis. São eles os adoradores do teu reino, são eles o suporte da tua vida, são eles os caracóis, os reis do teu reino. E és tu jardim andrajoso, o rei do meu reino.



publicado por Janinha às 20:34
Terça-feira, 01 de Fevereiro de 2011

           Um tanto hesitante pela rua, lá ia eu pelos preâmbulos obscuros de um dia por renascer. Andava devagar, tão devagar que tropeçava nas longas linhas que tecem o solo do amanhecer. Andava como quem anda sobre gelo quebradiço, andava com a certeza posta longínqua, para lá da noite e do dia. Enrolada no cachecol, de mãos bem frias junto ao corpo acabado de acordar, andava lentamente, tropeçava enquanto fingia andar e deixava-me correr na passagem do tempo. Eram horas. São sempre horas, o tempo nunca se esquece de cumprir as suas duras regras, as suas vontades dementes. Demente, o tempo, demente, o tempo. Se o tempo fosse coisa sã, se o tempo fosse mercadoria de vontades restringidas, não seria demente, aliás não se encontraria na ilusão de se comportar como um louco, sabendo que o seu mestre, o nós, teceria sobre si o mais penoso de todos os castigos, a amargura da impotência fase ao bater dos ponteiros. Tempo e tempo, que coisa feia. São horas, eram horas, agora são horas, mas horas atrasadas. Estou atrasada. Puxo as pernas que cedem por cada passo dado sobre o limiar do fio do amanhecer. Não querem andar rápido, não querem correr, não querem servir este porco e descarado sentido de tempo. As minhas pernasredobram a vontade, redobram a intensidade do frio e ficam-se, mortes, inertes, paralisadas. Puxo pelas calças, puxo pelas meias, puxo pelo ventre, na ideia de solidariedade muscular e nada. Até o meu próprio corpo negligencia-me, ignora-me, contraria-me, tal qual como o tempo. Ao de longe observo a fonte da minha loucura, de toda a minha pressa, lá está. Hesitante na estrada, hesitante no amanhecer, mas certo da crueldade que acabará por exercer sobre mim. Passa junto a mim, passa junto ao meu corpo. Na velocidade intermédia vê-se agora apressadamente à procura do acelerador e surpreende-me com a velocidade máxima.  Passa por mim, toda a minha espinha geme, todos os meus músculos gritam de angústia, todos os meus órgãos choram de despeito, as pernas, essas não, continuam flácidas, mortas e inúteis. Estico a mão bem alto na esperança de interceder no meu fatídico destino, estico bem lá no alto, onde as estrelas deixam de ser estrelas e passam a pontos translúcidos. Estico bem lá no alto, onde o céu reflecte a lua e esta se reflecte sobre si mesma. Estico e deixo lá a mão esticada, na esperança de piedade humana.

                Passa por mim, ignora-me, tal qual como o tempo que não se preocupa em respeitar a minha vontade, também o autocarro não me vê, confuso, tonto, ensonado, passa por mim, passa por mim, junto da minha pequenez acrescida pela minha própria ingenuidade em esticar bem alto, lá no cimo, a minha mão. Tempo e tempo, que coisa feia.

                Procuro o local estratégico no qual todos os dias me sento e sento-me esperando. Olho para a paisagem, como adoro esta paisagem. Vejo montes e campos e campos e montes. Vejo casas e montes, montes e casas. Abro os olhos. Vejo casas e estradas, estradas e ruas cinzentas. Volto a fechar os olhos, agora sim vejo a verdadeira paisagem, os montes e campos tingidos de amarelo, de azul e vermelho, corro fustigada pela falta de ar, pela pressa que não esqueço e deixo-me assim a olhar para o amanhecer, tombada no florescer das suas flores, no acordar do seu encanto, no seio da sua vida. Sorrio e adoro a sua textura, a sua frescura seca, a sua presença de natureza rebelde, o seu encanto imaginário. Agora sim as minhas pernas estão vivas, agora sim sinto-as a emergir do seu sono pesado e penoso, agora sim, ambas restituídas da energia volátil do acordar e postas em posição: livres, vivas e enérgicas.

                Lá vem novamente o meu carrasco, lá ao fundo, vêm hesitando no caminho e certo da crueldade que me fará em breve. Estico a mão, estico não lá no alto, mas cadente junto ao tremer do esforço do braço e lá vem ele, certo de que não me poderá ignorar mais, pelo menos não novamente.

                Entro de uma golfada só e sento-me, o dia será longo.



publicado por Janinha às 21:00
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