Domingo, 28 de Novembro de 2010

            

             Maldito sono que não me deixa dormir, maldita posição que não me deixa deitar, malditos pensamentos que não me deixam falar.

 

             De olhar entreaberto observo-te.

 

             És tão bela, és tão imensamente bela, em ti existe o tudo e o nada, caso o nada seja algo que em ti exista. Calmamente absorvo a tua vitalidade, a tua incoerência. Modelas-me o espírito, corrompes-me a alma, requeres mais que um bafo, mais que mero arfar nas tuas delicadas faces. São múltiplas elas, são tantas e tão belas, tens faces e faces e mais faces, és senhora das personalidades, a senhora dos meus tortuosos momentos de paixão. Faço amor contigo, tu recusas a fazer amor comigo, não entendo. Não vejo ternura nos teus toques cortantes, doçura no teu beijo. Infinitamente gélida abraças-me, como se me quisesses matar de qualquer morte pecaminosa, talvez de morte amada. Escuto toda a tua solidão entre os sucessivos assobios do vento, escuto toda a tua existência de dentro de mim. Fazes parte de mim, da mesma forma que eu faço parte de ti, somos um e apenas um, um único propósito, um único desejo, uma única verdade. Oh minha bela, belíssima noite, como o teu abraço gela não só pele, carne e coração para cravar ardentemente nos meus sonhos o teu amor por mim. Deixa-me amar-te, deixa-me encostar a face às tuas múltiplas faces,deixa-me esconder o dia no teu beijo sufocado. Não entendo, abraças-me, gélida, morte amada, triste, solitária, porém não me deixas percorrer os teus sonhos, os meus sonhos.

           De olhar entreaberto observo-te as faces,  tantas e tão belas, quero deitar-me em ti, mas não me queres. E assim deleito-me mais uma vez com o dia e procuro nele o amor, a paixão ou a desilusão...



publicado por Janinha às 20:03
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