Quarta-feira, 18 de Maio de 2011

         

        Caía lentamente por entre as gotas de orvalho, estática, crúa e impassível, deambulava longamente descrevendo espirais por entre os sopros sombrios do vento. Deslizava, enquanto se deixava permanecer no mais belíssimo efeito natural de finalização. Rescrevia os contos, poesias e as canções de cada uma dessas finalizações ternas e inequívocas. Entre si, saboreava-se a seiva morna de uma natureza calorosa. Chovia, uma chuva que não lavava o toque quente da queda, mas que permitia a clarificação perfeita de um fim repleto de magnificência. Encostei a pele, ardia como raios de sol numa praia morta e encostei mais de perto a pele, pele nua, toque seco que se deixou queimar na brandura de uma beleza enganosa. Enquanto umas deambulavam pelo vento sombrio, outras idênticas já se quedavam na colina vasta da conclusão. Moles, flácidas e eternas, se dispunham languidamente pelo terreno palpitante  de vida, deixando-se admirar plenas de uma modéstia incompleta.

         Não existe finalização sem dor, porém quem sabe se não existirá finalização através de estima? A estima permite suportar a cruel verdade crivada de pequenos e angulosos pedaços de vidro, e com ela conseguimos aceitar o término do que se gosta. Com ela conseguimos degustar por uma última vez os diversos sabores que presenteiam a alma de recordações magníficas e através dela conseguimos por fim, amar a finalização como parte integrante de uma vida passada.



publicado por Janinha às 15:05
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